SOCIEDADE


Jessica Amorim ︎



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 reprodução


RHs que se cuidem: GEN Z ta ditando o mundo do trabalho.


Quem tá acostumade a dizer que as juventudes não sabem o que querem, vai ter que começar a se rever, porque os Zers sabem bem o que estão fazendo, ao mesmo tempo que não têm medo de mudança.


Sim, vai ter mais textos com/sobre/para Geração Z! Inclusive, se você for assídue leitore do MJournal ou mesmo se você estiver chegando agora, já deve saber: esse time é muito amo/sou GEN Z, Zennial eeee Millennial também (por quê não?). Afinal, se estamos falando do “Começo do Fim” fica difícil não referenciar essas gerações e seus cruzamentos.
Tá, mas qual o assunto da vez? Trabalho!
Contextualizando o momento, entre 2019 e 2020, a Geração Z ultrapassou os Millennials, e se tornou a geração mais populosa do planeta, com mais de um terço da população mundial. No último ano, a previsão era que eles ocupassem 20% dos postos de trabalho - o que, óbvio, deu uma mudada com todo contexto de pandemia-coronavírus.
Ainda assim, mesmo com a “suspensão do futuro” que os natives digitais sofreram, essas juventudes têm deixado bem marcadas suas demandas de mudanças estruturais no âmbito do trabalho. Isso porque os Zers têm uma perspectiva única sobre suas carreiras, seus sonhos e também sobre o que é sucesso.
Diferente dos Millennials, que adentraram o mercado de trabalho em busca de propósito, a Geração Z quer oportunidades que ofereçam plano de crescimento de carreira e estabilidade financeira. E não só! Segundo a Deloitte, líder em serviços de consultoria, os critérios são bem amplos e definidos: curtem independência, mas não isolamento, então tudo certo com tarefas individuais baseadas em equipes; estão de olho não só na qualidade dos produtos e/ou serviços dos lugares que pretendem trabalhar, mas também em seus valores éticos e de impacto social; são bastante críticos sobre os processos de aprendizagem, e não apreciam o discurso extremamente valorizador da educação tradicional que a Geração X tinha; e, meu amor, vamos desenhar aqui: se não tiver diversidade, não tem geração Z.
Se você não é Zer, ou não convive com Zers, pode até está pensando em tom desencorajador: “muito sonhadores, não?”. E a real é que não. Embora eles rejeitem aqueles antigos conselhos dos Boomers e da geração X de “procure um emprego estável e fique lá até o fim da vida”, eles também acham muito estranho o hábito dos Millennials de ficar pulando de emprego em emprego ou de carreira em carreira.
Como costuma acontecer com as juventudes, a galera pode tentar insistir que a GEN Z é a “irresponsável e imatura” da vez, mas os Zers estão/são tão antenades que seguem se movimentando para não reproduzir erros do passado. São uma geração que é muito mais avessa ao risco do que as anteriores. Não tão a fim de, por exemplo, assumir dívidas para cobrir custos de um ensino superior que no fim pode não render fruto nenhum.
E é bom também expandir a ideia de que são apenas um grupo viciado em telas. Sendo uma geração hipercognitiva, com grande habilidade em coletar e cruzar referências de múltiplas fontes de informação, conseguem integrar a vida virtual com a offline com maestria (inclusive, eu ouvi um “alô, MJournal? cof cof).
E sai pra lá com seu discurso “eu sou mais velho que você e sei tudo”. Super abertes ao diálogo, a GEN Z não tem problema em conversar, discordar, debater, mas não querem cargos de alta hierarquia ditando tudo sem flexibilidade e escuta. Preferem um esquema mais de mentoria do que imposição de regras e caminhos. Até porque se engana quem acha que por serem conhecides como natives digitais, essa geração não curte interações olho no olho com os colegas. Os Zers querem se envolver e se inspirar.

  • Mas calma lá, que esse texto não é colinho para RH.


Estudos são legais e tal, mas se você esquecer pelo menos por um segundo que as juventudes Zers valorizam a expressão individual, rejeitam rótulos e pautam diversidade, vão só ficar com vários conceitos e definições mortinhas para trabalhar. Outra forma pela qual são conhecides é TRUE GEN, geração da verdade. E né, convenhamos, a verdade é isso mesmo: fluída, impermanente, ampla, multifacetada.
E é assim que o tal “futuro do trabalho” vai ter que começar a refletir: as juventudes estão mais que prontes para seguirem sendo pessoas com variados talentos, interesses e áreas de conhecimento. E cada vez mais conscientes das paradas todas. Inclusive sobre a ideia de consumo como acesso e não como posse. E eu espero que vocês já estejam preparades pra essa conversa, né?





MJOURNAL ED.006- O COMEÇO DO FIM.