P&R / Pedro Neves

Jéssica Amorim








Posições de “Yoga da Quebrada”


Pedro Henrique das Neves Silva, mais conhecido como Pedro Neves ou ainda aka Mulungu, é artista plástico, nordestino do Maranhão, e hoje reside no Morro das Pedras, em Belo Horizonte. No seu trabalho, apresenta recortes sobre família, ancestralidade, ocupações das juventudes e as influências do cotidiano nas culturas tradicionais, discutindo sobre espaços e posições das narrativas que vivencia. Recentemente participou do projeto ConVIDA do Sesc Cultura, onde falou das suas pesquisas, apresentando algumas séries, além de comentar sobre pessoas negras nas artes plásticas e sobre a arte decolonial. Aqui no MJournal ele conta um pouco mais das suas motivações e inspirações.








Três primeiras palavras y

dois dígitos:


Pedro Neves,  23,  de Imperatriz, Maranhão, Brasil para Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 
Pintura, cerâmica, fotografia.







Qual sua motivação

artística?



É poder ressignificar as coisas. E de várias maneiras: nas estruturas; na forma de fazer; de mostrar; na materialidade; no conceito; na composição. Minha motivação é entender a arte como estado natural do ser vivo e trazer ela de volta a esse lugar, onde qualquer um pode se sentir capaz de fazer arte, já que de acordo com o sistema eu sou qualquer um. Então o que me motiva é que qualquer pessoa entenda o quão imenso ela pode ser.





Qual a sua principal

pesquisa?



O povo brasileiro. Somos nós e a nossa origem. Mas nossa origem é muita ampla, e busco maneiras de me organizar para não perder o meu caminho. Atualmente pesquiso a cultura tradicional como uma forma de arte negra, e questões referentes a falta de espaço nos lugares que ocupamos.

Na cultura tradicional eu busco representar, através das minhas vivências, os diálogos que o cotidiano e o contemporâneo criam quando confluem nos terreiros de capoeira angola, reinados, folias, boi da manta, candomblés, etc. A cultura tradicional é feita pelo povo a partir do fundamento dos mais velhos. E ela não é intocável, igual muitos acreditam. É ela quem conta a história dos que foram escravizados, indígenas, sertanejos, caboclos e todo povo brasileiro.

Sobre a falta de espaço, venho falando do tanto que nós, pessoas periféricas, somos afetados pela ausência de espaço, físico e geográfico, de como crescer com pouco cria um desequilíbrio, ou de como aceitar migalhas, ou de querer mais do que consegue segurar. O salto da colonização para nossa urbanização reflete na nossa precariedade: normalizamos famílias de cinco pessoas dividirem barracos de dois cômodos. Minha pesquisa nesse campo é levantar a voz das pessoas que vivem nessa situação.








Você tem referências?

Quais?


Ulisses Pereira, Manuel Eudócio, Njideka Akunyili Crosby, Marcela Cantuaria, Belkis Ayón, Tsukioka Yoshitoshi, Adebisi Akanji, Maria Auxiliadora, Pierre-Auguste Renoir.





E qual é seu site?



https://www.instagram.com/_mulungu/





MJOURNAL ED.005- Y QUE VENHA O AMANHÃ.