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Igi Lola Ayedun ︎




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© SUNDAY_MORNING/ ADOBE STOCK

O ocidente está mudando


Minha Deusa! O que foi 2020? Às vezes, fico me questionando se vale mesmo a pena lembrar… mas, de qualquer forma, como o passado não é apenas um botão do qual nos desligamos facilmente, se torna inevitável ponderar uma intenção de balanço sobre esse furacão de início de década que arrasta, para os próximos cinco anos, milhares de consequências. Basicamente, dá pra falar sobre qualquer coisa. Barcos afundando, carros cambaleando, trens descarrilados y tudo, ABSOLUTELY TUDO, que surgiu para mudar o curso da carruagem numa vibe meio “salve-se quem  puder”.
Porém, ansiedades à parte, não podemos ignorar que a nossa sociedade já atravessava um histórico gradativo de tensões que revelaram diversos sintomas de caos em termos sociais, políticos, educacionais, econômicos, sanitários y, sim, espirituais. Porque quem ainda não acredita que a energia-geral da humanidade tá meio ruim, não é da geração horóscopo (risos).
Larilala pra cá, larilala pra lá, vamos aos fatos: a virada progressista está sendo ensaiada há um tempo y a crise de 2008 foi uma das válvulas desencadeadoras do “precisamos construir um mundo melhor”. Uhum, decidi voltar 12 anos na casinha só para a gente ter uma ideia do quanto esse motor tá emperrado. Y por mais que nem todas os investimentos tivessem sido globalmente frutíferos, a era da conexão — protagonizada pelas redes sociais y o primeiro ensaio de ascensão dos emergentes no poder (nações de novos ricos, potencial de consumo Brasil, China, México bombando) — foi justamente a onda de progresso de onde surgiram as polarizações que desmantelaram 2020 ao meio, baseadas em quem não se via muito confortável em ceder espaço para quem estava chegando y, assim, se sentiu abandonado.
Ainda mais cedo, lembro exatamente de estar sentada na sala da casa de um amigo de meus pais, discutindo sobre política com a sobrinha dele de 18 anos que dizia o quanto o Lula estava acabando com a classe média. A menina em questão? Senhorita N*, branca, fazendo cursinho para entrar na FGV, moradora de condomínio do Jardim Anália Franco em São Paulo. Pouco mais de uma década adiante? B17! Eu tinha 16 anos y confesso que ali não vi chegar, mas estava diante do broto da bolha de um levante conservador que tomou as Américas (vamos falar só das Américas), nos anos 2010 y… nossa, aonde chegamos? 
Entre violências por meio de ideologias extremistas que foram se polarizando como se o mundo fosse uma verdadeira arena romana, com tudo que uma boa briga de Czar tem direito, inclusive o pão y o circo, entramos em guerra! Não só aquelas de tanques ou de fuzis (ditos) perdidos mas, também, guerra travada barulhenta entre nós mesmos. Infelizmente, a década dicotômica entre ascensão y decadência nos trouxe consequências irreversíveis, sobretudo a partir da cerejinha de bolo COVID-19. Y a juventude ressurgiu iradamente esperançosa exigindo de nós um pouco mais de atenção sobre o que estávamos fazendo com o mundo.
Assim, nasceu uma mobilização diária de base massiva de repolitização da humanidade como nunca visto antes na história. O aumento dos protestos, articulações, organizações independentes, financiamentos coletivos, mangas arregaçadas, mão na massa, novas candidaturas, mandatos, líderes… em linguagem de rede: E N G A J A M E N TO.
Entretanto, para quem ainda acha que essa é uma movimentação só de internet, melhor reiniciar o Bluetooth porque essa semente de esperança já tem broto fértil entre as principais lideranças do mundo que, neste exato momento, estão redesenhando fórmulas efetivas de transformação para que ainda tenhamos o direito de existir no futuro enquanto espécie. Até o pequeno Archie, filho de Meghan y Harry, príncipe de título renegado pela coroa britânica, aderiu à militância.
Confesso que, o NOVO PROGRESSISMO é também sobre sentimentos inundados pelo desejo de calma, mas o pragmatismo y as intenções de reoperação do sistema não ficam nada atrás. Basicamente, é aprender com tudo que deu errado y nutrir tudo que já estava dando certo. De um jeito binário de se dizer, porém muito mais plural de se realizar. ︎

Esse texto é um trecho do e-book  VISÃO DO AMANHÃ PARA AQUELES QUE QUEREM FAZER A DIFERENÇA, Ayedun; Igi Lola, 2021;   ISBN: 978-65-994178-0-1 - Editora M JORNAL DIGITAL LTDA disponível para assinantes Patreon. Todos os direitos reservados.

MJOURNAL ED.007- UMA IMAGEM CURA MAIS DO QUE MIL PALAVRAS.