SAÚDE



Bruno de Barros



Imagem: Reprodução

Nem tubaína, nem cloroquina, cadê essa vacina?


A corrida mundial pela busca da cura da COVID-19 se acelera, contudo é do continente africano a primeira versão aparentemente mais eficaz contra a desgraça sanitária do mundo. Venha averiguar.


Ainda que a corrida esteja intensa na busca pela cura do coronavírus, todo cientista e pesquisador responsável no mundo tem alertado para o fato de que o processo de criação e disponibilização é demorado por si só. Com mais de 100 projetos registrados em andamento, sendo 10 já em fase de testes clínicos (em humanos), não existe, afora expectativa consciente de conclusão antes do final de 2020. Após a fórmula criada ser efetivamente validada, serão necessários mais alguns meses para sua disponibilização. Considerando a necessidade global, teremos, conforme aponta o biólogo Atila Iamarino em uma de suas lives, uma vacina disponível às pessoas no meio do ano que vem. Didático, o divulgador destaca que “não dá para produzir 7 bilhões de doses de vacina de uma vez, inclusive. isso depende de qual estratégia de vacina vai dar certo. Por exemplo, no caso do modo feito a partir do SARS-COV-2, são poucos lugares no mundo que tem condição de cultivar o vírus de maneira segura para fazer milhões de doses, quiçá bilhões”. Com isso em mente, seguimos nos adaptando a ideia do distanciamento social e a nova realidade de interação humana a partir dessa condição. Hoje, três projetos de vacinas são apontados como possíveis de alcançar o sucesso primeiro. Uma americana, uma chinesa e uma inglesa. Epicentro da Pandemia, o Brasil ingressa com duas mil pessoas da linha de frente do combate ao coronavírus na fase de testes clínicos da fórmula criada pela Universidade de Oxford, uma resposta mais digna que a, "quem é de direita toma Cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína". É meu povo, é piada e não é minha, mas do presidente Airton.

A ESCOLA DE MATEMÁTICA APLICADA DA FGV está lançando uma série de boletins organizados por professorxs, do núcleo de Epidemiologia Matemática da instituição, a situação da pandemia no Brasil. No primeiro, dedicado a olhar para a efetividade das medidas de distanciamento adotadas no país, a conclusão, infelizmente, não é nada boa. O estudo aponta que se o país todo não adotar o lockdown, proibindo de fato as pessoas a saírem de casa e paralisando todas as atividades não essenciais, seguiremos rumo a um quadro preocupante, com um número de mortes que pode chegar a centenas de milhares até o fim da crise. “Só no Estado de São Paulo, o modelo prevê que nos próximos meses o montante de novas infecções por dia passe dos 50k”, o que também aponta o estudo realizado pela UNICAMP publicado em 12 de maio. Conforme xs pesquisadorxs da FGV, se não tomarmos uma atitude mais responsável, a curva epidêmica deverá atingir um pico no dia 14 de julho nos levando a um ápice de mais de 65k novos casos por dia até o mês de outubro. Eu realmente não entendo... com tanta gente produzindo dados para subsidiar as decisões com base na ciência, como ainda não transar essas evidências? Está, sim, tudo aí e só não vê quem se nega. Acho muito triste perceber que a desinformação está empurrando milhares à morte.

Em Madagascar, o presidente reivindica a cura da doença por meio do COVID ORGANICS. De acordo com o MALAGASY INSTITUTE OF APPLIED RESEARCH (IMRA), que desenvolveu o remédio, o composto herbal é produzido a partir da artemísia, planta com eficácia comprovada contra a malária, e outras ervas indígenas. O governo de Andry Rajoelina tem disponibilizado a bebida à população com desafio promissor de cura em sete dias. Contrariando as recomendações da OMS países como Tanzânia, Guiné Equatorial, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Libéria e Guiné-Bissau, receberam milhares de doses do COVID-ORGANICS gratuitamente, num movimento de organização interna que pode ser entendido como uma manobra de decolonialidade científica. Considerando a facilidade do ocidente em invisibilizar culturas racializadas, não é de se espantar que isso não esteja sendo pautado na grande mídia, rs, a partir de uma narrativa imparcialmente apurada. No paraíso das fake news, surgiu até um boato de que a OMS teria oferecido dinheiro para manipular e sabotar a medicação e o presidente, Andry Rajoelina, teve que desmentir. É o GLOBAL ÓDIO CABINET, tá ligadx?

Inclusive, se formos analisar o episódio perverso contra o continente africano sugerido por pesquisadores franceses que queriam testar uma vacina contra a doença lá, utilizando esses cidadãos como cobaias de um experimento altamente prematuro - se torna super interessante pensar que os países africanos têm utilizado a sua medicina tradicional como recurso na saga mundial da cura da COVID-19. Em entrevista recente à France 24, Rajoelina lembrou que o remédio é natural, não tóxico e nem invasivo. Ao criticar a OMS o presidente pontuou que a preocupação da organização existe porque o remédio não foi originado no eixo colonial do ocidente,  “O problema do COVID-ORGANICS é o fato dele vir da África”. Mentira? Até quarta (10.06) Madagascar, que lançou o COVID-ORGANICS em 21 de abril, registra 1162 casos de infecções e apenas 10 mortes (chupa!) causadas pelo novo coronavírus. Além disso, até o fechamento dessa matéria, o governo registra 105 casos de recuperação, a partir do tratamento com o composto de chás e ervas.

Sim ou não para a sabedoria científica ancestral? Veganos vibram.