TURISMO


Gabriela Campos ︎



Imagem:  Reprodução

From Hell do Céu.


O direito de ir e vir em tempos pandêmicos sem muito espaço para diversão. 


Eu já tinha comentado aqui como a flexibilização da quarentena [que nunca existiu] parecia  uma batalha Pokémon: a cada saída pra rua e sentindo que nada acontece, o treinador  desafiado vai um pouquinho mais longe, sempre burlando os limites e desrespeitando as orientações de segurança da OMS.

E quem entrou acenando na arena dos inimigos da OMS foi o Brasil: se essas festas no BR virassem um enterro, a da democracia teria sido a primeira: é que MAGICAMENTE durante as campanhas eleitorais, principalmente em SP, parecia que a COVID-19 tinha pego seu banquinho e saído de mansinho graças à gestão pé na COVAs [rs] e bastou menos de 24hrs pra cortina de fumaça se desfazer e o Governo retornar o estado todo à fase amarela.  Sem contar as 100 mil notificações que deixaram de ser confirmadas ou descartadas pela prefeitura durante a corrida pela gestão da maior cidade da América Latina. E o sul? Florianópolis que, no comecinho da pandemia muito se gabou por ter conseguido controlar os casos de maneira efetiva, agora não sabe mais o que fazer, pois a aposta anual da cidade & do litoral catarinense como um todo é a temporada de verão. No momento, tudo que temos é uma restrição pífia de circulação e beach clubs abrindo. E pra que falar em segunda onda, se por aqui a gente nunca nem viu... [menção honrosa aos EUA]

Mas não é todo lugar que faz do uso de máscara um pretexto para encobrir os números pandêmicos e abre as fronteiras assim pra todo mundo, não! É que a Itália, há pouco menos de um mês, decidiu que ia fechar tudo [e vamos de aprendizado de quem não está mais disposto a pagar pra ver]. E nessa leva de países como França e China [que não têm permitido viagens internacionais], estão o Uruguai, que tem pedido testes para liberar suas fronteiras e a Nova Zelândia, que mal teve primeira onda e encontra-se ativa apenas pra vacinados [aberta única e exclusivamente para William Shakespeare, até então]

Só que é Natal. E Ano Novo. Todo mundo queria reunir a família, descer a serra e pedir pra Yemanjá pelo amor de deus tira o Covid daquiiiii. Mas aparece mais uma vez, durante essa segunda onda, mais um ruído na base da vida globalizada: existem sim fronteiras e elas estão aí para serem respeitadas e não tem Papai Noel que salve, não tem catequização cristianista que sobreviva a uma praga que não tava escrita em EXODUS. Também não tem muito o que fazer quando a porteira tá aberta: gado solto, sem pastor, corre solto. Depois de tanto tempo preso quem não quer, né? Mas o ruído continua na base e a pergunta mais feita durante essa pandemia volta: o quanto estamos dispostos a abrir mão de nossas individualidades por um bem coletivo?  ︎


MJOURNAL ED.005- Y QUE VENHA O AMANHÃ.