CULTURA


Gabriela Campos ︎




Imagem: Reprodução

Carnaval, talvez.... vem aí?!


Como fica a indústria criativa com maior potencial aglomerativo por metro quadrado enquanto o mundo pede distância e comedimento?

São tempos estranhos. Tão estranhos a ponto de confirmarmos que sim, NÃO TEREMOS O PRÓXIMO CARNAVAL. Pelo menos pra mim, que estou desacreditada de que a imunização vai rolar pra todes a tempo da gente perder 5 minutos de dignidade no nosso bom e velho CARNAVAL DE RUA. O mesmo que já disse que só faz banda tocar depois que a vacina chegar. Se em agosto desse mesmo ano, a discussão da liga das agremiações carnavalescas - tanto do RIO e de  SÃO PAULO, quanto no BAIXO AMAZONAS e SALVADOR - era sobre o adiamento para junho/julho do ano que vem, hoje o cenário da discussão que parecia altruísta não passa de uma teia de contradições, já que estamos a poucos dias da abertura das quadras das escolas de samba no RIO DE JANEIRO e com empresas vendendo pacotes para o Réveillon a torto e a direito.

Ainda sim, o tom é muito mais comedido e com isso as esperanças de mais um início de ano com calor, sal, suor e todo mundo junto passam a coexistir com a fé na vacina, que se for chinesa o brasileiro já disse que não quer. No início dessas discussões, prefeituras e agremiações pareciam ter decisões maduras enquanto instituições responsáveis pela potência coletiva que é a indústria criativa, construindo políticas públicas para esse momento de incertezas. O CARNAVAL carrega consigo uma performance política, como toda arte. E, como toda arte, saco vazio não pára em pé e as preocupações econômicas começam a rondar o setor do dito maior espetáculo da terra, que só em 2020 movimentou R$ 3 BI de reais só em SÃO PAULO e cada ano gera milhares de empregos direta e indiretamente. Só que a crise, assim como o vírus, está aí: no mundo!

Deixando de olhar um pouquinho pro próprio umbigo, no CARIBE, por exemplo, as coisas estão bem incertas até pro ano que vem.. Tanto em TRINIDAD y TOBAGO quanto em BARBADOS o evento, que seguia em avanço constante, em termos de receita e público, precisou dar uma pausa no processo de expansão do turismo e aproveita esse momento para repensar suas estratégias. Talvez um bom momento para centrar as festividades na comunidade local ou quem sabe expandir o horizonte das experiências através de eventos virtuais? Ninguém sabe muito bem o que fazer e ainda está tudo por definir. Seguindo os mesmos passos, mas do outro lado do globo, o tradicional carnaval de COLOGNE, na ALEMANHA, foi cancelado, já que o país teme atingir a marca de 20.000 novos casos diários durante a segunda onda da pandemia. Já NEW ORLEANS, terra do Mardi Gras, deixou para que cada um das KREWES decidam por si só a participação das mesmas na festividade do próximo ano, garantindo que em 2021 vai ter CARNAVAL sim e as organizações que decidirem não participar não serão afetadas em 2022, quando decidirem retornar. O HOLI FESTIVAL, na Índia, segue sem maiores informações sobre que rumos vai tomar no próximo ano. Porém, a festividade, que se manteve em março de 2020, foi apontada como um dos maiores fatores de agravamento da pandemia em todo país. Teria ficado a lição?

Se aqui no BR, a gente já tava com amostras do NOVO CORONAVÍRUS, que já nem é mais tão novo assim, desde novembro e passamos todo o Carnaval 2020 muito plenos e na rua, o que esperar do país que não teve o fim declarado nem da primeira onda? A desatualização por parte do governo, as discordâncias ideológicas que nos fazem pensar se a gente tá no século 21 mesmo… é o que permite de alguma forma que a população no geral imagine que tá tudo bem e que a vacina é a solução pros nossos problemas. O cenário já vem sendo preparado pelos sequenciais feriados de praias com grande lotação, bares e restaurantes com filas nas portas desde a flexibilização do que nunca existiu: a quarentena. O sentimento que paira sobre esse movimento é de que a cada dia se avança uma fase: testando mesmo até onde se pode ir e o ápice pode ser o CARNAVAL, se ele não for as festas de final de ano que sugerem mil comemorações e aglomerações diferentes. Enquanto isso, o que vai ter de cartinha pro Papai Noel ou pro João Dória pedindo a vacina, não vai ser brincadeira. E a gente que lute. E de máscara.

MJOURNAL ED.005- Y QUE VENHA O AMANHÃ.