Igi  Lola Ayedun ︎


CAPA  1 ANO MJOURNAL 
AFREEKASSIA, MIRANDA LUZ Y EMIRA SOPHIA

Fotografia: Wallace Domingues
Direção de Imagem y Styling: Igi Lola Ayedun
Beleza: Max Weber
Assistente de Fotografia: Mateus Rodrigues
Assistente de Estilo: Lucas Fernandes
Assistência de beleza: Carol Almeida Prada

Produção executiva Julio César
Agradecimentos: Thinkers MGT, 3t Locadora
Afreekassia, Miranda Luz y Emira Sophia vestem Igi Ayedun y acessórios Atelier Robytt Moon


Direção de  design gráfico:
Estúdio Margem - João Pedro Nogueira y Alexandre Lindenberg 
Designer Júnior: Letícia Souza

Realidade é uma lacuna dos sonhos.



Estou há muito pensando qual é o espaço do sonho na distopia apocalíptica que vivemos nessa inconstante-constância do caos que parece, do lado de cá do mundo, se ver ainda muito distante do fim. Além dos sentimentos cotidiano-pandêmicos que travaram completamente a nossa desenvoltura social - da fala ao flerte - seria, hoje, o imaginar uma perspectiva do impossível? Daquilo que não nos é tangível, realizável y, por sua vez, não vivido, experienciado, maturado, existente, talvez? Se não nos cabe viver do jeito que imaginamos, vivemos o que sonhamos ao imaginar?

Estou há muito pensando sobre em qual tipo de fisicidade a materialidade do sonho, agora, se aplica. Tentando dançar entre lóbulos de espaço-tempo para entender (ou só sentir, vai!) se os últimos dezoito meses passados me localizam em algum lugar dessa contemporaneidade absurda y, então, emergindo da saliva desafogada de projeções.

Viver talvez tenha se tornado uma grande performance holográfica, onde até mesmo o que lhe parecia mais íntimo se transforma, apenas, em uma ação projetada. Para cada conflito, um gatilho, cada sorriso, um susto, berro, todo o silêncio do mundo, afeto, um drama. Drama, dor, teor, cor, odor, soluço lacrimejado ofegante que se derrama sobre todas as coisas que desaprendemos a lidar entre gestualidades socialmente caquéticas, sem abraço nenhum capaz de curar.

Entre o pão de todo dia, uma comoção letárgica contra a audácia fatal de manter-se desperta.

Remédio ou ficção? Vejo: todas as paisagens pelas quais já percorri, todos os beijos que já senti, todas os quadris que já movi, ombros que sobre mim se jogaram, dedos pelos quais já escorri y uma sensação fantástica de reconhecer, mais uma vez, algum fragmento de liberdade para que eu possa, finalmente, comer luz pela garganta.

Estou há muito esperando o amanhã.


Mjournal Ed.008-Realidade é uma lacuna dos sonhos.