P&R /  Daniel Nicolaevsky

Ana Carolina Rodarte





Arte para se batizar




Há quem fique assim meio estafado do que escolheu investigar nessa vida, mas Daniel Nicolaevsky se debruça sobre a arte com o mesmo olhar de quem se enternece à primeira vista. O artista visual e performer nasceu no Rio, mas hoje leva as suas maquinações — corpóreas e visuais — para cantinhos da França que ele enche de uma interessância própria. Sua arte é repleta de temas que nos doem entre as costelas e, ainda assim, ele os apresenta com a suavidade de quem se batizou de seus amores. Em 4 (a) ch/cords (2019), ele uniu-se à cantora Eva Medin para falar de apego. Já na recente “il suffit d'un grand lit pour que toutes les couleurs du monde trouvent du repôs” [“basta uma cama grande para que todas as cores do mundo achem repouso”], ele investiga um desses objetos esquecidos que se escondem sob os sonhos. E ele anda aprontando mais, pra nossa sorte. Fiquem, por ora, com estas palavras que são dele:






Três primeiras palavras y

dois dígitos:



Daniel Nicolaevsky Maria, 29 anos,  Rio de Janeiro,  Brasil.






De onde você é?


Eu nasci no Rio de Janeiro, no Brasil. Saí de lá quando tinha 21 para 22, e a partir de então eu vivi, na maior parte do tempo, na França, um pouco em Los Angeles e viajei muito.

Y onde você mora?


Moro em Ivry-sur-Seine, na periferia de Paris, chamada “Banlieu Parisienne” ou “94”.


Qual sua(s) vertente(s) artística(s)?


Faço arte para não morrer após o despertar do alarme. Às vezes desenho, às vezes pinto, a arte para mim vai com o formato que a engloba. O fundo ressalta a alma da palavra circunscrita no médium. A dança e a performance são formas que gosto, o nu frontal do corpo na cara do espectador mostrando o mais profundo íntimo. Também gosto de poesia, mas essas quase não mostro.






Qual sua motivação artística?


Entender porque estou aqui. E porque ainda tô vivo. Talvez seja um vetor para que outras pessoas possam continuar querendo a luta do viver.


Qual a sua principal pesquisa?


Gosto do apego. Me interessei primeiramente por isso, nesse sentimento estranho que nos liga a todos. Pesquisei então sobre o psicanalista francês radicado nos EUA, René Spitz, e o britânico John Bowlby. Toda a pesquisa deles me levou a querer ver em imagens os "lien de parenté" (termo em francês para “laços”). Como tratamos a geração futura, o papel sagrado da mãe e da pele, do toque, do desenvolvimento psicomotor.








Você tem referências? Quais?


Gosto do fardo que decidiu portar o britânico Steve McQueen (o artista, não o ator); “Doze anos de escravidão”, “Bear” e seu trabalho plástico também.

Estudei com a Emmanuelle Huynh durante meu BFA e MFA na Beaux-Arts de Paris. Sua pedagogia e dança são incríveis; a filosofia ligada com uma consciência psicomotora me fez querer dançar mais ainda. Estudei então Lia Rodrigues, Wagner Schwartz, Boris Charmatz e Nora Chipaumire.

Tive a chance de fazer o Camping do Centre Nationale de la Danse com Tino Seghall e Ralph Lemon. Ambos trabalhos inspiradores pelo cruzamento das artes visuais com a dança contemporânea. Decidi que era isso o que queria fazer.





Y qual é seu site?


https://nicolaevsky.com/







MJOURNAL ED.005- Y QUE VENHA O AMANHÃ.