CARTA ABERTA



Igi  Lola Ayedun ︎



CAPA 001,  002, 003, 004
FLOR DE CEM, RAIZ DE MIL
Fotos: Wallace Domingues Styling: Suyane Ynaya  
Beleza: Ian Rib
Produção de Moda: Fernando Ferreira 
Assistente de fotografia: Matheus Rodrigues
Produção executiva: Heitor Botini, Dandara Aparecida y THINKERS MGT
Modelos:  Camila Simões (Monster) y Nabila  Youssouf  (Mega)


Direção de  design gráfico
João Pedro Nogueira

Flor de cem, raiz de mil.



Precisamos


entender

o solo

como aliado de uma

força
nascente,

nutrido pela








energia







de tudo aquilo que se decompõe

y que, assim, nos possibilita renascer


continuadamente.








O mundo é outre.





COLEÇÕES

SETEMBRO@2020 - MARINE SERRE SS 2021 -  PARIS FASHION WEEK










P&R / Edu de Barros

Ana Carolina Rodarte







A vida pós apocalipse


Se o mundo está em ruínas, o artista Edu de Barros, também conhecido como “profeta”, vem erguendo as mãos para sossegar geral e dizer que há sim vida após o tocar das sete trombetas. Com passagem recente pela Galera Sé, em São Paulo, Edu, que vive e trabalha na favela da Rocinha
(Rio de Janeiro – RJ), compõe uma liturgia sagrada com pinturas, desenhos, esculturas, performances, instalações e filmes. Ele foi um dos fundadores da ANoiva, a Igreja do Reino da Arte, criada por artistas que acreditam
no processo artístico como uma maneira de acessar o divino. Saca só o que ele compartilhou com a gente sobre o seu processo.






Três primeiras palavras y

dois dígitos:


Edu de Barros, 27, Rio de Janeiro (Brasil – RJ), "Arte Contemporânea"




Qual sua motivação

artística?


Meu processo de criação responde ao momento presente. É como se eu fosse uma antena de captação de ideias. Tento não predispor o trabalho a expectativas específicas, principalmente no processo de pintura; minhas intuições e interesses políticos e culturais, e conhecimentos sacros (simbólicos e ocultistas) que guiam o resultado.
A minha motivação pessoal é me desafiar e surpreender com cada nova etapa de trabalho ou projeto que me proponho. No aspecto macro político, vivendo no Brasil, meu trabalho e ideias estão contaminadas com aspectos políticos e sociais espessos, com os quais eu tento lidar buscando ler, nas entrelinhas de ações e objetos corriqueiros, aspectos sublimes e metafísicos. Para mim o processo de entender o Brasil e o mundo passa pela magia, e num país — que vendia a ilusão de tropical, alegre e diversificado — soterrando a problemática colonial, vejo que fica cada vez mais evidente a distopia que é de fato nossa realidade. Por isso busco, por meio do encantamento e ficção, a criação de realidades paralelas do Brasil. Isso se tornou um aspecto forte do corpo de trabalho para conseguir um distanciamento histórico dos momentos presentes e poder pensar melhor as questões contemporâneas, como se uma liturgia ficcional fosse sendo projetada em contraproposta aos acontecimentos cotidianos.



Qual a sua principal

pesquisa?


Desde 2017 eu venho desenvolvendo uma pesquisa que eu chamo de “apocalipse verde e amarelo”, na qual juntei elementos esotéricos e religiosos com o clima político do Brasil. Meu trabalho atravessa simbolicamente e semanticamente meu entorno, desde personagens e objetos ordinários naturalizados no meu cotidiano, conteúdos virais de internet até relações históricas e demográficas mais densas —  que, talvez, analisando o presente distópico e o passado colonial, tenham esboçado um prospecto de futuro.
Como motor da ficção de um território heterotópico geolocalizado no Brasil, nesse processo de aspirar – e mesmo reivindicar – o país como uma invenção estética que preconiza os roteiros de seu fim desde seus primórdios (profecias apocalípticas).






Você tem referências?

Quais?


Minhas referências partem muito do universo da música, principalmente de artistas versáteis como a Solange Knowles, Cardi B, Sevdaliza, Rosalía, Björk, JOCA, São Lucas, Urias, Linn da Quebrada, Baco Exu do Blues, Jorge Ben Jor, Pabllo Vittar, Frank Ocean, Tyler the Creator, A$AP Rocky, Kanye West e Travis Scott. Alguns diretores como Alejandro Jodorowsky, David Lynch, Quentin Tarantino.
Livros ocultistas, como “Caibalion” (Três Iniciados), “A voz do silêncio” (Helena Blavatsky), “Bhagavad Gita” (Krishna Dvapayana Vyasa), “O Profeta” (Khalil Gibran) e “A Caminho do Tarot” (Jodorowsky).
Filmes clássicos da Disney.
Memes de internet.
Passagens bíblicas.
Artistas contemporâneos como Damien Hirst, Jeff Koons, Mamma Andersson, Marina Abramović, Eduardo Berliner, Paulo Pjota, Nídia Aranha, Maxwell Alexandre, Marlene Dumas e Kerry James Marshall, para citar alguns.




E qual é seu site?


https://www.edudebarros.com




MJOURNAL ED.004 - FLOR DE CEM, RAIZ DE MIL.